Fui perguntado qual foi a minha maior mudança nos últimos 10 anos!
Por incrível que pareça não foi difícil encontrar uma resposta para isso. Minha maior mudança aconteceu quando vim para Cork fazer meu intercâmbio.
Ouvia muitas pessoas falando "intercâmbio abre a sua mente". Obviamente acreditava nelas, mas também pensava que era um pouco clichê. E hoje vejo como estava enganado.
Sei que não sou o mesmo Jones de quando cheguei aqui. Bem, minha essência e fundamentos que adquiri com minha família, amigos e mesmo que nasci com parte disso, não mudou e se Deus quiser nunca mudará. Mas aprendi a ver a vida de um outro jeito. Aprendi que o mundo não era aquela bolha que eu vivia. Não! O mundo é louco, divertido, dinâmico, e eu amo isso!
Cork tem um mix de nacionalidades que me agrada muito. Fora que desde que vim pra cá viajei bastante (7 países em 2 anos). E isso te dá uma bagagem que você nunca conseguiria se não tivesse tido a coragem de sair das asas dos seus pais e das ruas do seu bairro.
É diferente você ouvir pessoas criticando culturas onde mulheres precisam usar véu mas quando você vai para o Marrocos, por exemplo, percebe que talvez elas estejam bem assim. É diferente você ouvir relatos da segunda guerra vindos de um alemão e de um polonês. Ou escutar histórias de Napoleão contadas por um francês.
Esses dias, juro à vocês, que estava falando com um rapaz da Romênia sobre o Conde Drácula. Ele me falando que estudam sobre o Drácula nas aulas de histórias (mas claro, não falando que ele é um vampiro, rs).
Então estou completamente apaixado por Cork. Mas ao mesmo tempo, tenho essa sede de visitar outros lugares...
E o Brasil? Amo meu país... Mas sinto que quando voltar para lá, não pertencerei 100% à ele. Assim como não pertenço 100% a Irlanda também. Porque aqui tem coisas e pessoas que gosto mas no Brasil também. E provavelmente escolherei outro lugar para morar e a situação só se complicará mais. Sempre deixarei um pouco de mim em cada lugar que for e trarei um pouquinho desse lugar para mim.
Então sim, essa é minha maior mudança. Quando deixei de ser um cidadão brasileiro e me tornei um cidadão do mundo.
Então a pergunta que fica é: eu não pertenço mais a lugar nenhum ou pertenço a todos os lugares?
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